When movement touches within – Interviewing Pedro Machado from Candoco

Pedro was born in a time when Brazilian intellectuals were exiled in Europe. His family,  having a voice within the students’ movements during the military era in Brazil, moved to France, where he was born. Soon after, the family moved to London for a short year and a half and returned to Brazil, where Pedro grew up. When eighteen, his family relocated to London and Pedro learned physical theatre and created a small theatre company, inspired by Brazilian themes getting together two shows.

Tour in SP/BRA with Doble Cultura & Social. Photo by Denise Andrade

Pedro started deepening his studies in movement and entered Laban, the renowned dance school in London. During his Masters, he auditioned to Candoco, deciding to quit studies and learn in a practical way, in a company founded by Celeste Dandeker that worked with disabled and non-disabled dancers. At that time, the mix of disability and dance was a daring combination for a contemporary dance company, risking to fall into social or therapeutic work and stay in this realm. For the next nine years, Pedro dedicated his life to grow with the company: “I’ve moved in, Candoco became my home. I’ve made friends for life, such as Celeste, a beautiful person to work with.”

When he decided to have a break, Celeste retired and Pedro applied to become the Artistic Director, together with Stine Nielsen, another former dancer from the company. Together, they embodied the company’s mission and since 2007, have been driving Candoco’s mission with excellence, producing shows of great success worldwide. They commission and work with high profile choreographers such as Venezuelan Javier de Frutos, known for his West-End version of Cabaret in 2007, or the French traveller creator Rachid Ouramdane, head of the L’A Company to name just a few of the many. Candoco has also an active presence abroad, touring, teaching, mentoring and influencing artists and companies.

Pedro and Candoco’s relationship with Brazil are continuously active. The director has found equilibrium: “I feel that be Brazilian made me an accessible director. At the same time, I find characteristics really positives about the British working politics.”

Tour in SP/BRA with Doble Cultura & Social. Photo by Denise Andrade

“Our work is really well accepted and respected in Brazil” – he continues –  ”The first time we went to Brazil, we were invited to the international dance festival (FID) in Minas Gerais, where companies from all over the globe present. Seven years later, we returned to a festival dedicated to companies that work with disabled artists, and some of them have mentioned to have been created inspired by our work.”

Pedro mentions how many great companies that are in Brazil such as Limites from Curitiba in south of Brazil, Pulsar from Rio de Janeiro or Equilíbrio from Ribeirão Preto in São Paulo, amongst others. Another rewarding project in Brazil that enriched Candoco’s Brazilian experiences, was a tour in 2010 that the company worked with several young disabled and disadvantaged people from the suburbs of São Paulo.

For the Olympics in London, Candoco’s ‘Unlimited Comissions’ choreographed by Clare Cunningham, brought two Brazilian dancers and others from China, showing in dance the bridge between the three countries, and taking advantage of the rich exchanges. “We are often looking for support to keep it happening.”

'Let's talk about Dis', by Hetain Patel, photo by Hugo Glendinning

Moreover, Candoco’s had a key participation in the Olympics – “We were part of the ceremony in Beijing when the flag was passed to England, we were one of the three companies chosen from England and in London, we took part of the closing ceremony of the Paralympics when the flag was given to Brazil, it was a moving moment.” And Brazil is about to host not only the Olympics but also the Paralympics. ” It’s really important that all artists working in this area are well prepared to fully enjoy the opportunity to have the attention of the public. If it happens like it did in London, the public was really enthusiastic about the Paralympics. Brazil has excellent artists and companies, with great ideas and I’m sure they will do a good job.”

Candoco is planning to return to Brazil in March 2015 with the current show that has been touring for the last six months in UK. ‘Playing Another’ is an assemble of two dance pieces. ‘The first play is very theatrical and humorous, titled ‘Let’s talk about Dis’, choreographed by celebrated artist Hetain Patel. It portrays with humour, the challenges and joy of being a company working with disabled artists. The second play called ‘Notturnino’, choreographed by Thomas Hauert, uses pieces of the beautiful documentary ‘Tosca’s Kiss’ as its soundtrack, it shows the story of one of the first retiring homes for opera singers.

'Notturnino', by Thomas Hauert. Photo by Hugo Glendinning

The play touches the fragility of growing old that eventually, we are all going to be deficient of something, in relation to capacity and access to things. ‘Notturnino’ invites the audience to enter another people’s skin, it touches empathy, at the same time, entering the realm of imagining what we all may go through in the future. It encourage reflection around the understanding of individual and the common.’ Discover more about it here.

This will be the last opportunity for the public in England to see ‘Playing Another’ at Southbank on the 9-10th December. Guarantee your tickets here.

For next year, Candoco is already working on a major piece, still secret but promising to shake the grounds again.

EM PORTUGUÊS:

Pedro nasceu em uma época em que os intelectuais brasileiros foram exilados na Europa, incluindo sua família que havia influência nos movimentos estudantis durante o período military. Por razões de segurança sua família mudou-se para França, onde ele nasceu. Logo depois, mudaram-se para Londres por um tempo curto de um ano e meio,  retornando após ao Brasil, aonde Pedro cresceu. Quando ao dezoito anos, sua família mudou-se novamente para Londres e Pedro aprendeu teatro físico, criou uma pequena companhia de teatro, inspirado em temas brasileiros, criando e apresentando dois espetáculos.

Tour in SP/BRA with Doble Cultura & Social. Photo by Denise Andrade

Pedro começou a aprofundar seus estudos em movimento e entrou na Laban, escola de dança renomada em Londres. Durante seu mestrado, fez o teste para Candoco, decidiu parar os estudos e aprender de uma forma diferente, em uma companhia fundada por Celeste Dandeker que trabalhava com dançarinos deficientes e não-deficientes. Naquela época, o mix de deficiência e dança foi uma combinação ousada para uma companhia de dança contemporânea, arriscando ficar somente do âmbito do trabalho social ou terapêutico. Durante os próximos nove anos, Pedro dedicou sua vida a crescer com a empresa: “Eu me mudei, Candoco se tornou minha casa. Eu fiz amigos para toda a vida, como Celeste, uma pessoa incrível para trabalhar. ”

Quando ele decidiu fazer uma pausa, Celeste aposentou-se e Pedro se increveu para se tornar o Diretor Artístico, juntamente com Stine Nielsen, outra dançarina experiente da companhia. Juntos, eles encarnam a missão da empresa e, desde 2007, têm impulsionado a visão da Candoco com excelência, produzindo espetáculos de grande sucesso em todo o mundo. Eles comissionam e trabalham com coreógrafos experientes, como o venezuelano Javier de Frutos, conhecido por sua versão musical de Cabaret em 2007, ou o criador francês viajante Rachid Ouramdane, chefe da L’A Company, para citar apenas alguns dos muitos . A Candoco tem também uma presença ativa no exterior, levando seus espetáculos, ensinando, orientando e influenciando artistas e companhias.

O relacionamento de Pedro e Candoco com o Brasil é continuamente ativo. O diretor encontrou um equilíbrio: “Eu sinto que ser brasileiro me faz um diretor acessível. Ao mesmo tempo, encontro características realmente positivas sobre a política de trabalho anglo-saxônica.

Tour in SP/BRA with Doble Cultura & Social. Photo by Denise Andrade

“Nosso trabalho é muito bem aceito e respeitado no Brasil” – ele continua – “A primeira vez que fomos ao Brasil, fomos convidados para o Festival Internacional de Teatro (FIT), onde apresentam companhias de todo o mundo. Sete anos depois, voltamos a um festival dedicado a empresas que trabalham com artistas com deficiência, e alguns deles mencionaram ter sido criado inspirado por nosso trabalho “.

Pedro menciona também boas companhias que estão no Brasil, tais como Limites de Curitiba, no sul do Brasil, Pulsar do Rio de Janeiro ou Equilíbrio de Ribeirão Preto, em São Paulo, entre outras.  Outro projeto gratificante no Brasil que enriqueceu experiências brasileiras da Candoco, foi uma turnê em 2010, na quale les trabalharam com vários jovens deficientes e desfavorecidos dos subúrbios de São Paulo.

Nos Jogos Olímpicos em Londres, o projeto Candoco Unlimited Commissions coreografado por Clare Cunningham, trouxe dois dançarinos brasileiros e outros da China, mostrando através da dança, a ponte entre os três países, aproveitando a riqueza destas trocas. “Estamos sempre à procura de apoio para mantermos os intercâmbios.”

Além disso, a Candoco teve uma participação fundamental nas Olimpíadas – “Nós fomos parte da cerimônia em Pequim, quando a bandeira foi passada para a Inglaterra, fomos uma das três empresas escolhidas representando a Inglaterra e em Londres, participamos da cerimônia de encerramento dos Jogos Paraolímpicos quando a bandeira foi entregue ao Brasil, foi um momento de grande emoção. ‘

'Let's talk about Dis', by Hetain Patel, photo by Hugo Glendinning

E o Brasil está prestes a sediar não só as Olimpíadas, mas também os Jogos Paraolímpicos. “É muito importante que todos os artistas que trabalham nesta área estejam bem preparados para desfrutar plenamente a oportunidade e a atenção do público. Se acontecer como em Londres, o público estava muito entusiasmado com os Jogos Paraolímpicos. O Brasil tem excelentes artistas e companhias, com ótimas idéias e tenho certeza que eles vão fazer um bom trabalho. “

A Candoco está planejando voltar ao Brasil em março 2015, com o show atual que vem percorrendo o Reino Unido nos últimos seis meses. “Playing Another ( O jogar do outro) é uma montagem de duas peças de dança. “A primeira é bem teatral e bem-humorada, intitulada” Lets talk about Dis (Vamos falar sobre Dis)”, coreografado pela artista célebre Hetain Patel. E retrata com humor, os desafios e as alegrias de uma companhia que trabalha com artistas com deficiência.

'Notturnino', by Thomas Hauert. Photo by Hugo Glendinning

A segunda peça é chamada ‘Notturnino‘, coreografad` por Thomas Hauert, usa trechos do belo documentário “Beijo de Tosca” como sua trilha sonora, ela mostra a história de uma das primeiras casas de se retirar para cantores de ópera. A peça toca a fragilidade de envelhecer que, eventualmente atingirá a todos nós, que possivelmente nos tornaremos deficientes de alguma coisa, em relação à capacidade e acesso a coisas. ‘Notturnino‘ convida o público a entrar na pele do outro, tocando a empatia, ao mesmo tempo, imaginando o que todos nós podemos passar por no futuro. É um incentivo a reflexão em torno da compreensão do indivíduo e do comum. “Descubra mais sobre o espetáculo aqui.

Esta será a última oportunidade para o público na Inglaterra para ver Playing Another no Southbank Centre em dezembro dias 9 e 10. Reserve agora os seus ingressos.

Para 2015, a Candoco já está trabalhando em uma peca ambiciosa, ainda secreta, mas que promete abalar novamente.

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